DUIMP na prática: o que sua equipe precisa saber antes da próxima importação
A Declaração Única de Importação chegou para substituir a antiga DI e redesenhar a lógica do processo aduaneiro brasileiro. Mas, na prática, muitas empresas ainda operam com processos e sistemas desenhados para o modelo anterior — e isso custa tempo, dinheiro e conformidade.
Se você trabalha com importação e ainda não adaptou seus fluxos ao DUIMP, este artigo é o seu ponto de partida.
O que mudou de verdade com a DUIMP
A DUIMP não é apenas uma troca de formulário. Ela representa uma mudança de paradigma: a informação, que antes era declarada após a chegada da mercadoria, agora precisa ser prestada de forma antecipada e estruturada.
Isso significa que erros de classificação fiscal, inconsistências de atributos de mercadoria ou ausência de licenciamento prévio — que antes eram corrigidos no meio do processo — agora podem travar a operação antes mesmo de o navio atracar.
As principais mudanças operacionais são:
- Atributos de mercadoria obrigatórios: cada NCM passa a exigir um conjunto específico de informações técnicas que precisam estar cadastradas antes da importação
- Vinculação com o NPI: a DUIMP é o coração do Novo Processo de Importação (NPI) e se integra diretamente com o portal Siscomex e com os sistemas de gestão das empresas
- Declaração antecipada: o prazo para prestação de informações muda, exigindo que o time de comex e o time fiscal trabalhem de forma integrada desde o pedido de compra
Os 5 pontos críticos que travam operações
Com base em implementações que acompanhamos em empresas que utilizam SAP e ONESOURCE Global Trade, mapeamos os erros mais comuns na transição para a DUIMP:
1. Catálogo de produtos desatualizado A DUIMP exige atributos específicos por NCM. Empresas com catálogos incompletos ou mal estruturados enfrentam rejeições automáticas no Siscomex.
2. Falta de integração entre ERP e sistemas aduaneiros Quando o ERP não conversa com o sistema de gestão de comex, informações precisam ser inseridas manualmente em dois lugares — gerando inconsistências e retrabalho.
3. Equipe não treinada para o novo fluxo O processo antigo era linear. O novo é mais colaborativo: fiscal, logística e comex precisam atuar de forma coordenada, especialmente no que diz respeito ao licenciamento prévio.
4. Ausência de controle de atributos por fornecedor Quando o fornecedor internacional não envia as especificações técnicas no padrão exigido pela Receita Federal, o processo trava. Ter um protocolo claro de coleta dessas informações é essencial.
5. Sistemas sem atualização para os novos layouts A DUIMP trouxe novos layouts de integração. Sistemas que não foram atualizados simplesmente não conseguem transmitir as informações no formato correto.
Como se preparar: um caminho em 3 etapas
Etapa 1 — Diagnóstico do catálogo de mercadorias Mapeie todos os NCMs que sua empresa opera e verifique quais atributos estão faltando. Priorize os produtos de maior volume e frequência de importação.
Etapa 2 — Avaliação da integração de sistemas Verifique se o seu ERP (SAP, TOTVS, Oracle) e o sistema de gestão de comex estão integrados e se os leiautes de transmissão foram atualizados para o padrão DUIMP.
Etapa 3 — Revisão dos processos internos Redesenhe o fluxo de importação mapeando as novas responsabilidades de cada time. Defina quem é dono de cada etapa — do pedido de compra à parametrização no Siscomex.
O papel da tecnologia nessa transição
Empresas que já utilizam soluções especializadas como o ONESOURCE Global Trade integrado ao SAP têm uma vantagem clara: a estrutura de dados já está preparada para absorver os novos requisitos, e as customizações críticas da operação não precisam ser refeitas do zero.
Para quem ainda opera com processos manuais ou sistemas legados, a transição para a DUIMP é também uma oportunidade de modernizar a gestão de comex como um todo — centralizando dados, automatizando verificações e ganhando visibilidade em tempo real sobre o status de cada importação.
Conclusão
A DUIMP chegou para ficar, e as empresas que se adaptarem mais rápido vão operar com menos custo, menos risco e mais previsibilidade. O maior erro nesse momento é aguardar problemas acontecerem para então agir.
Se você quer entender como sua operação está posicionada para essa transição, fale com nossos especialistas. A Average atua há mais de 35 anos na intersecção entre tecnologia e comércio exterior — e pode ajudar sua empresa a atravessar essa mudança sem impacto na operação.


